sexta-feira, agosto 10, 2007

António e os Apóstolos

Fátima.

Terra de devoção, lojas de santinhos e chuto na bola. Sim, leram bem. Chuto na bola. Fátima tem uma nova religião: o Futebol.

A arte bolística será provavelmente a última coisa que vos passará pela cabeça quando referido o nome desta santa cidade. Ou a penúltima, depois de pão com chouriço.

Porém, a pequena cidade do Centro recebeu recentemente uma profícua injecção de Vitamina C. "C" de Cromos da bola.

Agastado pela má situação económica e desportiva que arrasava o seu GD Fátima no dealbar do Séc. XXI (quando se fala de algo religioso fica sempre bem meter numeração romana à pressão), o ilustre pároco valonguense António Martins Pereira arregaçou as mangas da sua batina e meteu santas mãos à santa obra. Ah, a batina tem mangas, sim. Possui também um colarinho branco representando a pureza, na frente possui trinta e três botões, representando a idade de Jesus, (o Cristo, não o ex-redes) e nas mangas possui cinco botões representando as cinco chagas do Cristo.

Cromos da Bola, a sua fonte de informação diária.

OK, mensal.

Voltando ao empreendedor pároco, folgo em anunciar que a sua missão teve sucesso. O GD Fátima está de novo entre os maiores clubes nacionais, apesar de alguns jurarem que a quantidade de rezas terá de ser massificada - qual franchising de Fast Prey - caso os fatimenses tenham por objectivo continuar a beber águinha da boa. Desta, não da benta.

António Martins Pereira, o beneplácito, mobilizou toda uma cidade à volta de um ídolo esférico. Começou por pregar uma nova doutrina e atrair seguidores, sendo aclamado por alguns como o Messias. Foi rejeitado, tido por apóstata pelas autoridades, condenado por blasfémia e ostracizado pelas beatas como um líder rebelde. No entanto, os seus sermões não cairam em saco roto. Padre Pereira conseguira uma trupe de apóstolos, filhos da terra sequiosos de bola, que espalharam a sua palavra pelos sete cantos da cidade.

Rapidamente, o sonho tornara-se realidade. A partir da sede do clube, sita na Rua Padre António Martins Pereira, o seu presidente, António Martins Pereira, conseguiu trazer ao Estádio Municipal de Fátima, sito na rua António Martins Pereira, (notam aqui algum padrão?) uma legião de bons samaritanos do chuto na bola, que transformaram a tarefa de colocar o GD Fátima na Liga Vitalis num passeio. Uma procissão, se quisermos. De qualquer forma, tinham uma grande vantagem em relação aos oponentes: se fizessem alguma promessa de ir até Fátima a pé, caso conseguissem colocar a agremiação na Liga Vitalis, o caminho seria curto. Deve ter sido isso.

Uma vez na segunda Divisão da nossa bola, o messiânico pároco decidiu montar uma comunidade de apóstolos do esférico que desse garantias de conseguir em campo o que ele tentava alcançar através das suas privilegiadas ligações às esferas superiores.

O primeiro passo seria encontrar um líder para a dita comunidade, um jogador que funcionasse como o seu braço direito, um terço do seu rosário.

Eis que - obviamente - chega o Bispo, rodeado pelo seu presbitério e assistido por múltiplos diáconos, dos quais se destaca Edu Castigo, responsável pelo departamento de penitências no relvado. Edu é o elo de ligação que o GD Fátima oferece aos seus adversários como prova de que estarão arrependidos dos seus pecados. A finalidade é conseguir que os valorosos oponentes se afastem dos pecados (vulgo, vitórias contra o GDF) por causa dos seus pesados sacrifícios exigidos. Tais como: levar porrada, levar porrada, e levar porrada.

Tudo se conjuga para uma época cromífluamente histórica na pequena cidade de Fátima.

Amén.

domingo, julho 29, 2007

O Filho do Vento

















vento
,
do Lat. ventu,
  • s. m.,
corrente de ar provocada pela diferença de pressão entre várias camadas ou zonas da atmosfera e que se desloca em certa direcção;
ar agitado por qualquer meio;
Etienne N'Tsunda;
  • fig.,
sorte, influência favorável ou contrária;
flatulência;
coisa rápida;
...
Etienne N'Tsunda, o Filho do Vento, foi um mistério para muita gente, durante muitos anos. Inclusivé para Sir Bobby, que o resgatou de uma carreira votada ao anonimato na equipa de atletismo do Orlando Pirates, transformando-o num maxi-single habitual na cassete pirata dos hits de verão preferidos dos portugueses.

Habituado a jogar num clube que foi buscar o seu nome a gajos com perna de pau e pala no olho, o congolês sentiu o peso da camisola do Dragão. Não foi fácil partilhar o balneário com colossos do nível de Ronald Baroni e Walter Paz. Especialmente porque o peruano deixava constantemente a tampa da sanita levantada e o argentino tinha como banda preferida os Def Leppard.

Afectado por estes execráveis contratempos, o rendimento de Etienne sofreu. O Filho do Vento não passava afinal de uma tímida brisa. Sir Bobby viu-se confrontado com a hipótese da contratação via K7 audio enviada pelo ajudante de roupeiro do Orlando Pirates (cunhado de Etienne, advogado criminal de Zwane, e representante da Adidas no Zimbabwe) não ter sido 100% fiável.

"I don't perceebo it. Pelo sound, el jogadorr parcia good. Eu even disse ao Dmingas: primeira part...good. Segonda part...not good. Dmingas remate poste, should have been goal. Je suis très content.", afirmava Sir Bobby no seu português irrepreensível.

Na verdade, o clube não abandonou o método de utilizar a K7 audio como principal instrumento de prospecção, como atestam as posteriores contratações de Da Silva e Alejandro Diaz.
Porém, o Filho do Vento jogava como um Bastardo da Bola, chutando o esférico corpo estranho de uma forma tão inepta, que mais parecia estarmos a presenciar nova impagável incursão de Paulo Madeira a ponta-de-lança.

Eis que o clube das Antas, certo que N'Tsunda estaria ainda demasiado verde para passar de brisa a vendaval (com isto, não estamos a fazer nova incursão no precioso Mundo das piadas de flatulência - apesar da oportunidade acima oferecida pelo dicionário), decidiu cedê-lo à II Liga, por via de Penafiel e Académica, onde o africano brilhou como Manuel Subtil numa casa de banho da RTP.

Tal demonstração de força e irreverência não foi ignorada pelos primodivisionários, e o GD Chaves reabriu-lhe as portas do palco principal. Agora Etienne era um actor de sucesso, uma Floribella (sem alusão aos equipamentos alternativos do Benfica 07-08) no prime time da bola lusitana. Ao lado de Sabou, Matute e Ovidiu Cuc na frente de ataque flaviense, o Filho do Vento só poderia brilhar. E brilhou. Qual remate de Pavlin furando as redes adversárias, o fulgor do nosso herói era inigualável, e a sua velocidade destruía os laterais adversários como as três gajinhas do anúncio da netcabo destroem a paciência colectiva de um Povo.

Porém, a troca de Chaves pelo berço da Nação em 1998 revelou-se fatal para a carreira de Etienne, pois a sua convivência com David Paas seria conflituosa ao ponto de voltar a transformar a sua furacónica ventania num débil sopro de um franzino petiz. É que Paas jurava a pés juntos que Fangueiro era o jogador mais veloz do plantel vimaranense.

Com a autoestima devastada, o africano abandonou Portugal, apenas para regressar de forma inglória já no Séc. XXI para representar os secundários SC Freamunde e o outrora orgulhoso FC Famalicão, mas já era tarde. N'Tsunda era apenas uma anafada sombra de si mesmo. "Filho de Uma Lenta Deslocação de Ar"!!!, gritavam as bancadas nortenhas, apupando impiedosamente o ex-sorridente protégé de Sir Bobby.

"Ao menos se tivesse uma mega-mullet como a que o Rafal Grzelak exibirá em 2007...", murmurava o derrotado congolês parante a confirmação da inexorável marcha do tempo...

quarta-feira, julho 25, 2007

LISTA DE CROMOS AGORA DISPONÍVEL


Povo da Bola,
após uma jornada de árduo trabalho e labor desatinado, tornámos um velho sonho do blog em realidade.

  • O EX-LECEIRO VLADAN DARÁ UMA EXAUSTIVA ENTREVISTA AO "CROMOS DA BOLA"!!

Nah. Por acaso até gostavamos que acontecesse. Mas como quem não tem Eusébio caça com Akwá, a boa nova é outra:

  • Levámos finalmente a cabo a realização de uma aturada lista onde constam todos os cromos que já passaram pelo blog!
Não é um Vladan, mas é muito bom. De Abdel-Ghany a Zé Miguel, passando por Tahar, Parfait, Nhabola, Nii Lamptey, Kassoumov, Febras, Cao e Bolinhas, está tudo lá. Tudo não, porque o Vladan ainda não fez a sua aparição. Mas anda lá perto.
O link está na barra lateral, bem destacado no topo da classifição, como o Quitó estaria num ranking de gente extremamente feia.

Se o Peter Hinds recomenda, quem somos nós para levantar cabelo?

terça-feira, julho 17, 2007

Meu Deus, são Jogadores...

Por que razão os jogadores Brasileiros e Portugueses são tão devotos e mostram-no durante , antes e no fim dos jogos?

Por que será que levantam as mãos para o céu, ajoelham-se, rezam, benzem-se... antes, durante e depois dos jogos?

Já alguém viu um colega de trabalho celebrar com Deus, erguendo as mãos, em pleno escritório?

Ou dizer " Este projecto financeiro foi viablizado Graças a Deus.. que estava a olhar por nós.. e que depositou em mim todas as forças.."??

Nããããããão, só mesmo no futebol.

Bem, se calhar é mais em Alvalade. Senão repare-se, Paulo Bento tem nome de Papa, cara de Padre, tirou um curso num Seminário... e teve como colega e deixará uma mensagem para os Homens, tal como fizeram VIDIGAL e MARCO AURÉLIO.
Agora eles são pregadores da fé e da esperança num mundo melhor.. e pertencem aos Atletas de Cristo de Itália. Marco Aurélio, grande defesa central , deve ter agora perto de 38 anos. Vidigal ainda caminha nos inícios dos 30.. Esta é a imagem dos brasileiros e dos poucos portugueses, (agora mais, com as contratações da Juventus) que temos espalhados por esse mundo, com cada vez mais tugas à procura do sol... Se calhar, é o início de nova diáspora, de novo evangelho, de novos Descobrimentos!

sexta-feira, julho 13, 2007

A Esperança não equipa apenas de verde

Começo por afirmar que partilho a vossa dor.
Não é fácil. Nunca o foi. Nunca o será.

Todas os defesos assistimos a debandadas dos nossos cromos preferidos, ávidos em conhecer a relva romena, a brisa cipriota ou o gato maltês. Ienes, petrodólares, kwanzas, schillings, pulas do Botswana ou levs da Bulgária são o costumeiro chamariz para os nossos futeboleiros, sempre à caça de todo e qualquer género monetário que lhes permita comprar calças de ganga rasgadas/coçadas e correntes de prata com as suas iniciais. Isso ou amendoins.

Durante estas últimas semanas assistimos aterrorizados e indefesos à fuga de ídolos cromáticos do calibre de Beto Galdino, Lucas Buccollini, Moretto, o recém galardoado Carlos "sou" Bueno, Fatih Sonkaya, Luís Loureiro, Phil Jackson, Amoreirinha, Marco Ferreira, Chmiest, William (quantas saudades já deixas), Martin Prest, Orestes, Kwame Ayew (sempre no coração), e Zamorano (o outro, claro).

Ficámos indubitavelmente mais pobres. Qual criança à qual o impiedoso Oceano destruiu o castelo na areia (sim, o que jogou no Sporting - perguntem à minha priminha mais nova), encontramo-nos prostrados no chão, mirando as passageiras nuvens que tingem o Céu dum frágil tom esbranquiçado e bramindo um potente "NÃÃÃÃÃOOO!!", como se vestíssemos a pele do Steven Seagal nos primeiros vinte minutos de um filme seu. Aqueles primeiros vinte minutos em que ele descobre que foi o gajo sinistro com pala no olho que lhe assassinou a mulher, o melhor amigo, os pais, os irmãos, a empregada doméstica, o gajo do talho, a amante, a melhor amiga de infância, o carteiro, o amigo que tinha na repartição de finanças, o cão e os seus dezanove primos da parte do pai.

Porém, algo nos destingue de Steven Seagal. E não falo do rabo de cavalo ou da impossibilidade física de abrir os olhos mais que 2,5 milímetros. Ele jura vingança. Nós? Apregoamos a esperança. Senão vejamos:

Gladstone, Sreten Sretenovic, Ediglê, Luís Aguiar, Mrdakovic, Zoro, Kazeem, Stélvio, Edson Di, Ozéia, Jessuí, Rovérsio (abençoado seja o teu regresso), Lee, Bruno Fogaça (ver Rovérsio), Kifuta, Mossoró, Laionel, Brochieri, Tales Schutz (quanta esperança deposito em ti, rapaz) e Rabiola.

Estes são os nomes da esperança. Os bilhetes para uma atribulada e sempre curiosa viagem de retorno do Inferno via comboio cromífluo, com apeadeiro em Ermesinde.

Em vós depositamos o nosso capital de expectativas. Vão à luta e façam uma OPA ao nosso coração.

quarta-feira, julho 11, 2007

Carlos Bueno - Poll Cromo da Época 2006/07


E vai uma, e vão duas, e vão três... fechada a licitação.
O vencedor é o Bom do Carlos, ou o Carlos Bueno.
Está fechada a poll para cromo da época que terminou há cerca de um mês.
47 votos, suplantando o seu directo concorrente sul-americano. O Lucas Buuuuuuuuccolini Mareque. Um pequeno grande jogador da cantera Argentina do FCP, que se habilita a ter um dia destes um Maradona a gerir os jogadores. (Só espero que não aumente o consumo de estupefacientes na cidade Inbicta)
E por que razão Bueno ficou bueno classificado?
Carlos Bueno marcou num só jogo um POKER! 4 golos, que deram a Buena fama. E.. pelos vistos, nada mais deram. A dispensa vem escrever direito por linhas direitas. Bueno não passa de um Kinder Bueno. Por fora parece chocolate, mas por dentro não se sabe.. é Buena Surpresa. Claro que neste caso calhou uma surpresa daquelas que dá imenso trabalho a montar, cheio de peças.. e cujo resultado é ficar prontinho para o lixo, porque algo não funciona.
Mareque correu e fez um sprint final para o apanhar mas o Uruguai leva o prémio, Bueno merecido.
Espera-se e deseja-se (frase à Grande Octávio Machado.. Para quando um post dele??) que esta época de 2008 possa trazer tantos ou buenos cromos como a que acabou. E pelo mercado, parece haver matéria prima, matéria.. BUENA!

domingo, julho 01, 2007

José Tavares, a Alegria do Povo


Arrivado à lusa Olissipus em 1994 juntamente com o aussi polivalente Nelo, envolvido no infame pack "All-Stars Bessa Delight '94", José Tavares pegou de estaca no meio-campo vermelho, fazendo gala do seu porte atlético e dotes futebolísticos. Mais do primeiro e menos do segundo, claro. O sucesso do supracitado pack ficou bem representado pelo facto do Benfica ter continuado a apostar neste género de negócios, ilustremente ilustrado através do "Pack Jesuíta 1995/1996", do qual o inconsequente sniper Marcelo era o expoente máximo.

Regressemos ao José. Parte integrante de uma época em que o clube da Luz perdia mais jogos do que o Garcia Pereira colecciona derrotas em eleições, Tavares era uma panaceia para os males que afligiam os adeptos alfacinhas, incrédulos perante a quantidade de cepos que cirandavam em campo sob o comando de Rei Artur e Prof. Dr. Neca.

Na realidade, ver Tavares disputar o lugar de organizador de jogo com o seu compagnon de route Nelo numa equipa campeã (com o promissor Paiva à espreita), foi a melhor coisa que aconteceu à televisão portuguesa desde a música do genérico dos Jogos sem Fronteiras. Galhofa, olhares presos ao écran, tiques nervosos, e variadas menções ao nome Eládio Clímaco. Apesar de não fazer a mínima ideia onde se encaixa esta última relativamente ao , look alike de João Baião.

Claro que menção alguma a este Fernando Aguiar light ficaria completa sem o seu momento de glória em pleno San Siro, catedral do futebol Mundial, meca Milanesa do desporto rei:

Larguíssimas dezenas de milhares de ávidos pares-de-olhos italianos focados no relvado, a expectativa inerente dos grandes jogos europeus pairava no ar, ásperos bramidos ecoavam das hostis bancadas forradas a odor de queijo, tomate e mozzarella. Tavares sentia-se pequeno. Indefeso. Uma pálida criança numa acesa disputa familiar. Um mero peão num xadrez de interesses. Um CD dos Pólo Norte num escaparate de grandes sucessos da MTV. Uma ervilha num cozido à portuguesa. Um adolescente deparado com a eterna dúvida entre os Morangos com Açúcar ou o tratamento diário à acne que lhe corrói a testa e a alma. Um português na cimeira das lajes.
Suor escorria, o lábio inferior tremia, o equilíbrio era uma memória distante, a visão ficava turva, a quase imperceptível franjinha capilar perdia a costumeira rigidez, o habitual esgar sobranceiro e inquisitivo dava lugar a uma expressão abananada. O Mundo de Tavares tinha desabado.

A meio da primeira parte, o nosso pede a substituição. Nesse momento ter-lhe-à passado pela cabeça coxear ligeiramente, afagar a perna, simulando uma impeditiva lesão. Provavelmente teria sido mais oportuno levar umas quantas folhas de papel higiénico para o banco, terá dito Prof. Dr. Neca. Nunca uma substitução se terá assemelhado tanto a uma descarga de autoclismo. Sem WC Pato à mistura, obviamente.

Todavia, este momento menos bom não terá sido impeditivo para uma longa e frutuosa carreira na Selecção Nacional. Excepto a parte do "longa e frutuosa". Mais um candidato para pior internacional português de sempre, título que estoicamente disputa com Tulipa, Rogério Matias, Luís Carlos, Vado, Skoda, Bambo e Nelly Furtado.

sábado, junho 23, 2007

Milli Vanilli do Sado


No dealbar da década de 90, o Mundo assistia perplexo à queda de um mito. Petizes choravam rios de lágrimas que desguavam sem apelo nem agravo bem fundo nas incautas almas de todos nós, que apenas imploravam um fim para este desgraçado sofrimento que nos fazia definhar e tornava o povo em meros cadáveres andantes. Sim, os Milli Vanilli eram uma fraude. Desgraça. Tragédia.

Será que aquela sedutora mistura entre a jovial irreverência do reggae, a suave candura de uma balada pop e a hipnotizadora batida ritmada da dance music teria sido apenas um bonito sonho? Basbaques mal intencionados vociferavam alarvemente que as angélicas e pungentes vozes - a fazer lembrar um guardião do Sporting Clube de Portugal - do harmonioso duo Rob e Fab não seriam realmente as deles. Ignomínia! Que o playback seria a poção mágica dos seus sublimes concertos e que as formosas vozes que se ouviam no seu album de sucesso teriam sido cantadas por outros pobres diabos. Vitupério!

Pois bem, no infame dia 12 de Novembro de 1990 - jornada marcada a sangue escarlate no calendário de qualquer amante da vida que se preze - esta suspeita seria confirmada pelo agente do ex-duo maravilha.

Foi o dia em que todos nós perdemos a inocência. Os Milli Vanilli cairam em desgraça e com eles arrastaram, numa dolorosa espiral de decadência, todo o espírito e moral da civilização Ocidental.

Porém, um par de anos após a tragédia que mudou a face do Planeta Terra, os sábios responsáveis do Vitória Futebol Clube, agremiação sita na amistosa localidade de Setúbal, Land of The Yekini, decidiram devolver o sorriso ao atormentado povo terráqueo. Num encantador assomo de altruísmo, os sadinos definiram a estratégia para colocar o clube nas bocas do Mundo: reunir Rob e Fab, desta feita no gracioso relvado do Bonfim. Não eram jogadores de futebol? Não há problema. Estamos a falar de um clube que viria a albergar Nogueira uns anos mais tarde.

Os primeiros contactos efectuados revelaram-se uma enorme montanha - tipo Vujacic - impossível de escalar. Rob encontrava-se a trabalhar como assistente do controlador de qualidade de comida de gato no Tajiquistão, enquanto Fab labutava como estagiário na indústria de remoção de fezes de ratazana nos esgotos de Nay Pyi Taw, Myanmar, ex-Birmânia.

Derrotados por não lhes conseguirem oferecer melhores condições em Setúbal, os dirigentes sulistas, sempre argutos, usaram a história em seu favor. Pois se os verdadeiros Milli Vanilli não passavam duma espécie de duplos, que melhor solução para o busílis do que arranjar um par de duplos deles próprios? Assim foi.

Seguindo uma linha de pensamento muito própria do balón luso, o primeiro passo seria buscar um refugiado à Serra Leoa e pô-lo a treinar(na verdade, o gajo veio de Castelo Branco, mas assim soa melhor). Eis Sessay.
O seu compagnon de route teria obrigatoriamente que falar com o adocicado e cantante sotaque de Vera Cruz. Procedimento? Uma viagenzita à Maia. Mete jogador no carro. Arranca. Veste camisola verde-e-branca ao jogador. Setúbal. Trava. Ajeita o bigode. Sai do carro. Inventa frase à pressão. Apresenta "esta grande esperança do futebol brasileiro, ex-internacional das camadas jovens, chegou mesmo a relegar o Cafú para o banco". Palmada nas costas do jogador. Posa em conjunto para os flashes. Sai em triunfo. Eis Elísio.

Sucesso? Nem por isso. Os sadinos, gente conhecedora da esfericidade da bola, cedo se deram conta que o abichanado duo não era mais que uma reles imitação de Kiki, mas - horror - em duplicado.
De Setúbal para o Mundo, as notícias correram céleres (ao contrário de Sessay), e o Planeta chorou. Lágrimas de sangue, despojos vencidos de uma falsa esperança copiosamente derrotada pela lei do esférico. Pois o regresso fora implacavelmente abortado. A bola não mente.


Post Scripum Cromatium: Ao jeito de off-topic, um pensamento solto: que belo teria sido se o ex-amadorense Mazo tivesse jogado na equipa do Sado.

sábado, junho 16, 2007

Quem?Como?Quando?Onde?Hã?

Quem tiver coragem, clique na imagem. Quem quiser sair, p'ra se divertir, é no meu carocha.
Ups. Divago. Perdão. Malditas rimas contagiantes e infecciosas.

Voltemos ao tema:
Juro que não fomos nós que inventámos. O da esquerda deve ser irmão do Esterco. O da direita será quiçá primo.
Aqui estão as provas:
http://www.zerozero.pt/equipa.php?id=3559
http://www.zerozero.pt/equipa.php?id=7998

Post Scriptum Cromatium: Num caso extremo de solidariedade com um atleta focado neste post, o regressado Vitória da cidade berço contratou hoje o avançado sérvio Mrdakovic. Não há aí ninguém que lhe empreste uma vogal?

terça-feira, junho 12, 2007

O Rei no Naldo.

A ponta na lança.
O Paulo no Alves.
O correr parado.
O entrar cansado.
O Gervino amarelado.
O Tahar avermelhado.
O Bilro concentrado.
O Kimmel com ar de alucinado.
O Pedro Miguel... sempre penteado.
O Bambo sempre ao lado.
O Fua tão estimado - esférico cruzado.
O cruzamento alcançado.
O balón rematado.
O chuto ao lado.

Meu nome é Reinaldo - e é este o meu fado.

sexta-feira, junho 01, 2007

Alves Nilo "Vinha", ou "You can't teach height"



A
lves Nilo Marcos Lima Fortes
não é apenas mais um jogador com um nome incomum e estranhamente incómodo ao ouvido. Há mais por trás do homem do que cinco nomes que combinam entre eles tão harmoniosamente como um dueto entre a Céline Dion e o Adolfo Luxúria Canibal : este Senhor foi também um digno profissional de futebol.


Ora, quando nos deparamos com a anterior afirmação, é da natureza humana que nos interroguemos de pronto sobre quais serão as características do dito jogador. Será forte na marcação? Dono de uma técnica suave como um manto de seda? Intransponível como um rochedo? Drible fácil e remate pronto? Pé-canhão? Possui uma intestinal visão de jogo?

Pois no caso de Alves Nilo, a resposta é invariavelmente a mesma: "não."
Quer dizer, em boa verdade oscila entre "não" e "nem por isso, não". O "nem por isso" é normalmente utilizado para exprimir surpresa perante a aparente inutilidade do futebolista em questão, o que no caso do bom do Alves Nilo, torna-se muitíssimo útil (passe a ironia).

Então, se o homem não tem nenhuma qualidade discernível a olho nu, porque raio é que o deixaram jogar à bola com os outros? Pior que isso, porque será que lhe pagaram para isso?

"Ah, é alto e tal..."

Esta terá sido porventura a frase mais vezes proferida nas bancadas dos clubes por onde Alves Nilo passou.

É alto. Pois, até aí toda a gente chega. O indivíduo tem 1,93 m, por sinal muito mal distribuídos, o que o leva a parecer um poste de iluminação com carapinha e bigode. Em boa verdade, a maior diferença entre ele e o poste de iluminação não é propriamente a mobilidade, é mesmo a quantidade de luz que ambos projectam. Bem, pelo menos o bigode é extremamente gracioso. Mas adiante. O homem é alto.

"E mais?"

Mais? Mais o quê? É preciso mais alguma coisa? É alto e basta. "You can't teach height".
Alves Nilo, o Vinha, está para todas as crianças que perseguem o sonho de serem jogadores da bola, como o cast de "Morangos com Açúcar" está para todos os pré-adolescentes que querem ser actores.

"Ei...pá, se aquele gajo consegue, eu também!"

Alves Nilo, o Vinha (realço para não haver confusões com os outros Alves Nilos), é portanto o Pai Natal da expectativa: preenche diariamente de esperança os corações de milhares de crianças que desejam atingir o seu sonho de acariciar a redondinha perante hordes de espectadores.
Alves Nilo é de igual forma o melhor amigo dos Pais: quando os seus filhos lhes perguntam com uma lágrima no canto do olho e uma catota no nariz o que precisam para serem jogadores de futebol, os progenitores respondem prontamente um "só tens que crescer, filho. sê alto, e alto na vida chegarás." - piscando o olho de seguida para o horizonte, enquando balbuciam entredentes um "Obrigado, Vinha!!"...

E algures na Exponor, o ex-Salgueiros e ex-Porto sorri. Uma vez mais. Pelas crianças.

domingo, maio 27, 2007

"Ó Bilro!!Bilroooooooo!!"


Um grito irrompe indomável pelo relvado adentro. Um grito sonante, imponente, como convém a um líder. Um vozeirão grosso, mas ríspido. Rouco, que indicia experientes cordas vocais, testadas pelo Tempo. Respeito. Um barítono com voz de bagaço. Um pescador gritando pela saudade perene de sua amada no alto-mar. Um paternal líder com pulso de ferro transmitindo ordens aos seus petizes. Uma força que não dobra. Pelo meio, denota-se o leve assobio - quase imperceptível - que só um farfalhudo bigode transmite a um sopro de voz.

É Vítor Manuel. O carismático líder da formação do Lis. Uma força viva, um bigode que - como hoje sabemos - não resistirá aos sinais do tempo.

O comandante da nau do Lis gritava constantemente aos ouvidos de um fiel lateral direito. Ouvidos esses, que eram albergados por duas orelhas XL. Bilro recebia as roucas indicações do timoneiro, e funcionando como uma extensão do seu longo e viril braço sobre o relvado, estendia-nas aos seus companheiros. O bravo capitão leiriense tinha orgulho no trabalho que lhe era destinado, e cumpria-o com garbo. Antes do corte à "Excesso", antes das escusadas melenas douradas como adorno capilar, Bilro já era Leiria. Leiria já era Bilro. Uma simbiose que se estende para muito além do limite do razoável.

Razoáveis eram também as suas performances no tapete verde. Bom demais para ser relegado para o banco, e fraquinho demais (e não-brasileiro demais) para dar o salto, Bilro passou ao lado de uma grande carreira. Com este chavão, recordamos, como sempre, J'aime Cerqueira. Há algo em mim (será um fungo?) que me obriga a mencionar este pujante nome sempre que ouço o supracitado chavão da bola...enfim.

Voltando ao símbolo vivo de Leiria: Formar uma asa direita com o Fua e não ser campeão, é como ler todos os livros de culinária do Manuel Luís Goucha e não aprender a cozinhar, nem ficar com uma vontade indomável de lhe arrancar o bigode à chapada. Esperem. Alguem já fez isso. Aposto no Kimmel.

segunda-feira, maio 21, 2007

Habemus Bi-Campeonum!




O Futebol Clube do Porto derrotou copiosamente a armada do maquiavélico Professor Neca e sagrou-se pela segunda vez consecutiva Campeão Nacional.




O "Cromos da Bola, SAD" vem por este meio endereçar os parabéns aos Dragões por mais um título conquistado com toda a justeza e inteligência.

Inteligência? Pois claro. Com toda a certeza que o nome "Lucas Mareque" vos sugere a singela palavrinha "bluff". Afinal, o homem fez dois jogos e tal, com prestações medíocres que coincidiram com exibições menos conseguidas dos Bi-Campeões.

Mas não. E é aqui que entra a tal questão da inteligência, que o caro leitor já julgara perdida no meio da minha pretensiosa e pouco objectiva verborreia.

Cirandava eu pela World Wide Web, quando me deparo com esta assustadora fronha, que prontamente identifiquei como Lucas Mareque, personagem saída do clássico Nosferatu, mas a cores, com uma mosquinha à corredor da Nascar e camisolinha de futebol vestida. Porém, o insuspeito site www.uefa.com identifica-o como sendo o italiano Lucas Buccolini, não o argentino Lucas Mareque.

E agora sim, chego à parte da inteligência. Hossana nas alturas. Concluo portanto, que o F.C. Porto pensou que a única forma de contrariar a distorcida mente do maquiavélico Agente Neca seria contratar um agente duplo com capacidade para destrinçar os seus esquemas maléficos, e consequentemente, derrotá-lo. Nunca pensaram é que Monsieur Michel Platini e os seus comandados descobrissem a sua identidade e tão prontamente a divulgassem. E agora?...a bola já não está do teu lado, Lucas Mareque. Ou será Buccolini?...

Post Scriptum Cromatium: Nova Anderson POLLga já em exibição. Confio no Povo da Bola - cujo conhecimento bolístico é mais abrangente do que a testa de Gaston Taument - para eleger o Cromo maior da Época finda. Podeis escolher DUAS OPÇÕES. Somos tão justos e benevolentes...

domingo, maio 20, 2007

Alan Osório, Pontus Farnerud, Moretto - alea jacta cromus est.

Pela primeira vez em muitos anos teremos o privilégio de ver a Liga decidida na última jornada, com qualquer um dos três grandes (Porto, Sporting e Brag..Benfica) a ter hipóteses de conquistar o tão almejado título.

Pelas 19,15 do dia 20 de Maio de 2007, o País irá parar. Televisões e telefonias serão o pão deste faminto povo luso, ávido de encher a protuberante pança com golos, expulsões, simulações, remates ao poste e cuspidelas para o relvado.

Como já estamos Semedos (ou carecas, pronto...) de saber, o clube Portuense é o grande favorito para a revalidação de um título que já é seu. Seu e do ex-Metalurg Donetsk. Porém, os Dragões terão que superar uma equipa arquitectada por aquela que é a mente mais maquiavélica e retorcida do desporto ibérico: Professor Neca. Nunca foi uma tarefa simples para ninguém. Nunca será. Porém, os azuis-e-brancos contam com uma arma fundamental para superar o futuro treinador do Chelsea e o seu bigodinho sensual: Alan Osório Costa Silva. O velocíssimo extremo brasileiro foi o abono de família da depauperada prol Portista, enquanto Jesualdo Ferreira fazia a sua melhor imitação de Alberto Pazos para as últimas jornadas do Campeonato. Detentor de um drible em progressão estonteante, uma técnica escabrosamente aveludada e uma insuspeita qualidade cruzamental a todos os títulos folhesca, Alan liderou com mão de ferro a armada nortenha até à derradeira jornada decisiva, onde se espera que o próprio venha a carimbar o bilhete para a Títulolândia com um cabeceamento decisivo na baliza de Nuno Espíritus Sanctus. Aliás, como é seu timbre.

Trezentos e coisa e tal quilómetros a Sul, o Esquadrão 5 Minutos espera por uma proeza de Deus Neca. Um dos poucos clubes do Mundo a ter um treinador com risca ao meio e um guarda-redes com voz fininha em simultâneo, é também elegível para o Guiness pela forma como decide os jogos antes de se atingir a marca dos 10 minutos de jogo. "Mas como, raios?Como!?!?", perguntais vós? A resposta é Pontus. Pontus Farnerud. Podeis argumentar que o homem mal joga. Podeis argumentar que o homem joga mal. Eu perdôo-vos a heresia. Eu perdôo-vos a desatenção. Passo a explicar: Paulo Bento, num laivo de genialidade apenas paralelo a Senhores como Giuseppe Materazzi, decidiu potenciar os múltiplos talentos do centro-campista nórdico da melhor forma. Pontus joga os primeiros 10 minutos de cada desafio, empurrando o clube Lisboeta para a frente, defendendo como Balajic, controlando o meio campo como Didier Lang, e atacando como Ouattara. Uma força da Natureza, o sportinguista decide o jogo por si só. Aos 10 minutos, quando o placard pomposamente anuncia o costumeiro 2-0, Paulo Bento retira o Oceano Branco, poupando-o para posteriores desafios.
Sportinguistas, se aos 10 minutos ainda não estiverem em vantagem, já sabem a quem pedir satisfações.

Como outsider, temos outro clube de Lisboa. Desta feita, não só esperando por um milagre de Deus Neca, como também por um milagre de Jesus. Ah sim, e vencer o próprio desafio. Após mais uma época atribulada, sempre longe dos comandados de Alan Osório, os Moretto Boys chegam a esta altura à discussão do título como uma adolescente borbulhenta que não foi convidada para a festa, mas aparece na mesma, na esperança de sacar um gajo que tenha um Fiat Uno e ouça Bob Sinclair a 100db no autorádio deste. E tal como a adolescente, esperam por todos os Santinhos (com tiques de gravata ou não) que não lhes fechem a porta na cara. Para vencer o desafio frente à equipa de Coimbra órfã de Pitbull e Ezequias (este, desde o início da época), a equipa do Sul conta com uma parede de tijolo montada em frente da sua baliza. E não falamos de um regresso de Tahar, o Khalej. É Moretto o homem do momento. Detentor de reflexos puramente zachthorntonianos, este carismático líder da grande área tem também uma monumental pança - como a foto acima atesta - que já levou a especulações sobre o paradeiro da águia (ou milhafre) Vitória.

Alan Osório, Pontus Farnerud, Moretto - alea jacta cromus est.

segunda-feira, maio 14, 2007

Darius Adamczuk

"Venham, venham todos! Juntem-se à volta da carroça!Temos algo que vai revolucionar o Mundo da ciência! Chama-se Darius Adamczuk!Darius Adamczuk!Peguem num e levem-no para casa. Cura tudo desde reumatismo, infecções urinárias, sifilis, calos, dores de cabeça, gota, escorbuto, prisão de ventre, até picadas de abelha e lombrigas. Darius Adamczuk! Levem enquanto há! Por dois mil reis de mel coado diga adeus a varizes, dermatites, frieiras, icterícia, mordedura de cobras, diarreia e gases! Darius Adamczuk! Por dois mil reis apenas! Estimule a sua secreção láctea e esqueça que a gastrite e o mau hálito existem! Darius Adamczuk! Leve já o seu!"

quarta-feira, maio 09, 2007

Vado Retro, Osvaldo.


Durante o meu recente périplo por terras castelhanas, deparei-me com esta placa. Não, não foi um cromo do Vado (apesar de ter visto vários madrilenos com t-shirts alusivas ao Marítimo de inícios anos 90, com claro destaque para Soeiro), foi mesmo a que está mais à esquerda.

Obviamente, e como qualquer ser relativamente normal, depreendi que se tratava duma probição do Ayuntamento Madrileño à entrada do (ex?) futebolista Vado nesta área metropolitana.

A minha segunda reacção, já a frio, foi fome. Fui comer uma tortilla. A terceira reacção, porém, levou-me a questionar o porquê da aversão espanhola ao "pequeno genial". Não falo de João Pereira, é do Vado mesmo.

Sem rodeios cheguei à óbvia conclusão que a habitual soberba dos espanhóis (naturalmente traduzida no bigode cheiroso de Baston e nas sobrancelhas ligeiramente arqueadas de Toniño) levou a que, não tendo o Real ou o Atlético (ou o Getafe. Ou o Fuenlabrada - grande Fuenlabrada.) conseguido contar com os serviços do nosso "10 à Skydome" quando este jogava no feudo de Jardim, reagiram desta forma pouco honrosa. Um bocado no estilo de "Ai o menino não quer vir jogar para Madrid? Pois também já não queriamos. Aliás, até tinhamos pensado em proibir a tua entrada na cidade."

A verdade é que o fizeram. Osvaldo (Vado para os amigos, e não só), sentido com esta deshomenagem (acho que inventei uma palavra nova), pensou de que forma se poderia vingar. Primeiro desenvolveu um plano em que enviaria Carlos Secretário e Agostinho para o Real Madrid. Descartando-o depois como utópico, pensou em mostrar aos espanhóis aquilo que estavam a perder. Como tal, lembrou-se de ir jogar para o Desportivo de Beja, liderando a imparável cavalgada da II Honra para a IIB em 1997. Depois, pensando que tal demonstração de inaptidão teria sido em vão, lembrou-se de desenhar um plano de carreira em que seria um jogador baixote, feioso, com um espanador na cabeça, que acabaria a carreira no estóico Monchiquense.

Mission accomplished. Por supuesto. Olé.

Post Scriptum Cromatium: e não é que encontramos um bom parceiro de meio campo para o José Américo na pior (vá lá, "menos boa") Selecção Nacional de sempre?

terça-feira, abril 24, 2007

Gil Gomes - A Verdadeira História


Gil Gomes é um dos mistérios maiores da nossa bola. Jovem promissor, campeão do Mundo de sub-20 ao lado de futuros grandes do desporto Mundial como o guedelhudo Valido, o felino Toni e Paulo Banha Torres, cedo desapareceu das lides profissionais, após um início auspicioso.

O que se passou, perguntais vós?
"Cromos da Bola"
, sempre na vanguarda, aplicou-se para descobrir a razão do eclipse deste luso sol de tempero africano.

Nascido a 29 de Agosto de 1959, na pacata localidade de Gary, no Indiana (EUA), sob o nome de Michael Joseph Jackson, o nosso herói desde cedo alinhou pelas lides musicais. Aos 5 anos de idade já fazia parte do grupo vocal "Jackson 5", e aos 10 era um artista milionário e consagrado. No final dos anos 80, vestindo a pele de precoce veterano da K7 oficial e pirata, Michael sentia-se cansado. Preso à única realidade que alguma vez tinha conhecido, cansara-se de ser uma estrela pop. Seguindo uma linha de pensamento lógica, delineou um plano em conjunto com o seu macaco Bubbles: "Vou para aquele solarengo país africano, Portugal, e tornar-me numa estrela de soccer. Aí sim, posso fugir da pressão diária de ser um ídolo de multidões. E de certeza que lá ninguém me conhece, como não existe TV nem telefonia..."

Assim foi. Michael contratou um sósia seu (Latrell Smith) que ganhava a vida imitando-o num casino de Las Vegas (um Fernando Pereira sem a perinha abichanada), e pô-lo no seu lugar. Abalou para Portugal.

O choque inicial - aquando da compra dos bilhetes -, quando soube que afinal o seu País adoptivo fazia parte da Europa, foi mitigado à chegada: "Oh...It's not Africa, but it surely does look like motherfuc*** Africa."
Meteu-se de pronto numa camioneta em direcção a Freixo de Espada à Cinta, cidade que lhe tinha sido recomendada por Elvis Presley e Jim Morrison para adquirir um bom B.I. falso baratucho, que lhe permitisse viver em Portugal até ao fim da vida. Porém, ao contrário destes dois, Michael não montou barraca em Rio Tinto, aventurando-se na capital Portuguesa. Michael Joseph Jackson era agora Nélson Gil de Almeida Gomes, nascido a 02-12-1972 .

Chegado ao Estádio da Luz, Gil Gomes (nome de guerra que escolhera na viagem a conselho da idosa que se sentara a seu lado) utilizou o seu inglês irrepreensível e invulgares dotes futebolísticos (e algum dinheiro também) para convencer John Mortimore a dar-lhe uma oportunidade no Benfica de 1987. Gil fez uso da sua velocidade, reflexos apurados e capacidade de fazer o moonwalk para pastar nas camadas jovens durande dois anos, até conseguir finalmente entrar no plantel principal em 1989/90. Daí até à selecção sub-20 foi apenas um passinho de dança.

Após maravilhar o seu novel País adoptivo com a sua invulgar destreza, Gil fartou-se desta sua vida alternativa. Afinal a pressão era a mesma. Só que em vez de lhe atirarem cuecas e soutiens nos concertos nos maiores palcos Mundiais, atiravam-lhe agora moedas e pilhas quando ia jogar a Paços de Ferreira.
Como um qualquer filme de domingo à tarde na TVI com quaisquer duas irmãs gémeas loiras americanas, o artista-futebolista sentiu saudades do seu antigo empregozito como Rei da Pop e avisou o sósia que fazia de Micheal Jackson (bom velho Latrell) que iriam trocar de lides diárias. Mas havia um problema. Latrell não sabia jogar à bola.

Micheal regressava à sua vida anterior nos EUA, fazia uma cirurgia plástica para reduzir o nariz à Jonas Savimbi, e entregava solenemente o B.I. com o nome Nélson Gil de Almeida Gomes a Latrell Smith. Este, no seu primeiro treino, desiludiu de tal forma, que Sven-Göran lhe veio perguntar: "Que passa, campeóm? É a prrimeirra fez em muito témpo qué Valido e Phaulo Madherra não são os piorres jogadorres no trreino. Kontinua assim, qué fais parrar à zegunda difizóm."

O novo Gil assim continuou, e foi chutado para a Ovarense com uma velocidade superior àquela que José Dominguez imprimia em campo. Mal os responsáveis ovarenses viram que Penteado continuava a ser o melhor jogador ofensivo dos vareiros, estes chutaram-no para longe. Caiu no Tours, equipa da Centésima Segunda Divisão Francesa. Que o chutou para longe. Caiu em Braga. Barroso encarregou-se pessoalmente de o chutar para longe. Caiu na Reboleira (grande pontapé, já agora. Ah, pé canhão!...). Agatão, Mazo e Birame jogaram 5 minutos ao meiinho com ele, antes de decidirem chutá-lo para longe. Desta feita, caiu no Yverdon Sport, da Suiça. Depois no colosso F.C. Will. Depois no imponente Philadelphia Kixx. Claro que nenhum currículo de bosta ficaria completo sem os Jacksonville Cyclones. Ou sem o Sheffield Wednesday e o Avellino (não o do Marco, o de Itália, mesmo). Ou os inevitáveis Hendon F.C., Middlewich Town, Salford City e Hide Town F.C., como é lógico.
Porém, já em 2005, Gil Gomes atinge o ponto alto da sua carreira: Manchester United. Ah não. Afinal não é o United, é o New East Manchester F.C. ...e também não era o ponto alto da carreira, era mesmo o final. Paciência.

Do seu cadeirão favorito no rancho de Neverland, Micheal Jackson seguiu atentamente a carreira que ele tão brilhantemente iniciou. Alguns indefectíveis dos Philadeplhia Kixx juram mesmo tê-lo visto nas bancadas mais do que uma vez a aplaudir e incentivar aquele jogador português de que ninguém gostava muito.

"Cromos da Bola" roubou parte desta informação à CIA. Pedimos encarecidamente que sejam comedidos na divulgação da mesma. Bem Hajam.

quarta-feira, abril 18, 2007

Descubra as Diferenças XXVII



Para quem não está perceber porque é que o Linz está com ar de parvo e camisa vermelha, fica aqui uma explicação:



Não, não é uma foto do incrédulo Linz, depois do Jaimão Pacheco lhe explicar que terá a árdua tarefa de fazer de "1" no seu 6-3-1. É um rapazolas, cujo momento efémero de fama se reduziu a uma frase idiota (não é nada mau.É tipo o Bote Botende, mas substituam a palavra "frase" por "conjunto de momentos perfeitamente estúpidos em 90min") :

"Sherman: Fellas, I think it's time she experienced....The Sherminator!
Kevin
: Yeah, okay Sherman...whatever..
Sherman:
I'm a sophisticated sex robot sent back through time to change the future...for one lucky lady.
Jim
: Go get 'em, Tiger!
Sherman: I'll be back!"

in, American Pie (1999)

domingo, abril 08, 2007

Youssef, o Champô

Não deixa de ser irónico que um indivíduo com um penteado tão fraquinho tenha um nome que nos faz automaticamente lembrar a palavra "champô". Porém, guaxinim morto pendurado na cabeça à parte, Youssef construiu uma carreira invejável com base naquilo o que poderia eventualmente fazer. O que não é para todos.

Youssef, o Champô, entrou em Portugal pela porta grande, tendo sido a atracção principal de mais um triunfal arranque de temporada no covil do Dragão.
Corria o ano de 1996, e o Bi-Campeão F.C. Porto tinha por missão vencer o primeiro Tri-Campeonato da sua História. Para tal, reforçou-se com o que de melhor havia na equipa da rua do café do Sr. Veloso, imigrante português na Suazilândia: Chegaram Andrzej "o Popeye Polaco" Wozniak, o indomável Lula, Alejandro "O Homem Invisível" Díaz, Darko "Rico Suave" Buturovic, Arnold "eu marquei nos 5-0 da Luz" Wetl, António "Richard Gere da VCI" Folha, e o mortífero Romeu, ex-vedeta do Infesta.

Porém, apesar desta chuva de estrelas no palco das Antas, os indefectíveis Portistas sentiam-se inseguros. Algo faltava para atacar o Tri com a inegável certeza que só os campeões possuem. "Jardel e Quinzinho não chegam, cara****", gritavam as sempre impacientes bancadas azuis. Fumavam-se maços de SG Ventil e Português Suave. O chão cinzento cobria-se de unhas roídas e furiosamente cuspidas, qual remate traiçoeiro de Barroso. Quando, num súbito momento mágico, o túnel de acesso das Antas (órfão de George "Fair-Play" Weah e Jorge "Bicho" Costa) deixa-se envolver numa neblina misteriosa de esperança e novidade. O público exulta, as bancadas erguem-se. As crianças levantam-se e dão a mão aos adultos. Os idosos afagam o pacemaker - "Tu consegues. Só mais esta, ca****!", dizem eles.

Eis que irropem dois morenos vultos de camisola azul e branca do afamado túnel. "Mas que raio?..." é a expressão mais escutada do momento. O speaker, sempre solícito, ajuda o desamparado povo - logo a seguir a mais um anúncio ao concessionário da Volkswagen nas Antas - com o desvendar da identidade das novas vedetas do Bi-Campeão: "Kenedy e Chippooooooo!!!".
O silêncio mistura-se com dois ou três impropérios, alguns assobios, um arroto, a corneta do Sr.Azevedo e os tímidos aplausos daqueles que já tinham lido o jornal "O Jogo" dessa manhã. Era a triunfal chegada de dois futebolistas que iriam fazer História na Invicta (como ainda não tinham acabado o secundário, fizeram a cadeira de História - 12º ano - na Escola Secundária Clara de Resende, ironicamente em frente ao Bessa).

Youssef, o Champô, esforçou-se para corresponder à aura de salvador. Quer dizer, por acaso não se esforçou por aí além. Era um jogador rápido, se cometermos a imprudência de ver o conceito de velocidade à luz do relativismo. Com a bola no pé, fazia lembrar Siza Vieira, tal a exactidão colocada no traço do seu passe longo. Sempre (in) activo, mestre da basculação tecnocrata dominante no prisma táctico do futebol feito arte, Youssef Chippo foi o precursor do moderno box-to-box, com a sua impressionante interpretação do futebolista not-box-to-not-box. É verdade que defender não era o seu ponto forte - coisa pouca, quando falamos de um trinco - mas o seu poderio ofensivo compensava esta falta de capacidade enquanto stopper centro campista. Ah, esperem...não compensava, não.

Bem, paciência. Sai um Doriva prá mesa 1.

quarta-feira, abril 04, 2007

Martelinho - Poll Médio DIreito Mais Cromo

Joaquim... podia chamar-se Quim.

Mas quis o destino que fosse Martelinho..
Ninguém se chama Martelinho..

Mas também ninguém consegue ser ou imitar Martelinho.

Extremo veloz, ao estilo Petit a 200 à hora, mas a jogar à linha... e a fazer centros com conta peso e medida para Ayew, Farys, Elpídios, Nuno Gomes (Nuno, quem te dera teres um Martelinho agora em vez de um Marco Ferreira).
Tem como grande conquista o Championatt pelo Boavista, na época em que marcou aos grandes e mostrou.. "Um dia vocês vão ver-me no Penafiel e vão dar-me valor.."
Só é pena seres ainda um valor por despontar, porque és suplente na equipa treinada pelo ex-colega Rui Bento. Que traição "à Pacheco"...

No Boavista só lhe guardam mágoas e rancores, porque por causa da Martelada as inscrições do Loureiro Ban Clan ficaram paradas.

Se passas pelo Bessa és trucidado.. tal como fazias a Nelos, Nitos, Ruis Jorges ou Pedros Henriques com as tuas arrancadas fulminantes. Normalmente acabavam em cantos ou tiros à baliza.

Martelinho, que começou a jogar no clube do Exmo Sr Ferreira Torres (Marco), passou para o exmo clube do Valentim e João Loureiro e agora parece querer acabar no de António Oliveira. Em 2005 passou ainda pelo PortoNovo , de Espanha.. se calhar para mostrar que se fosse novo podia ter ido parar ao clube do Exmo Jorge Nuno.

Logo, há algum jogador que tenha semelhante carreira em clubes de dirigentes desta craveira? 4 patrões de qualidade e que lhe garantem futuro promissor na defesa de casos coloridos .. como Apitos (Dourados) ou Sacos (Azuis).
Sem dúvida um jogador de extrema direita...

Viva Martelinho, que superou Chicabalas, Fuas, Cañetes, Marcos Ferreiras.. e fica para a história aquele golo que deu praticamente o título ao Boavista diante do Sporting em pleno Bessa.. que tiro.. embora sem querer.. :)

Para a história, mais recente, fica também o destino de um clube por ele presidido e com o nome dele.

"A equipa do Martelinho SC retirou-se de todas as provas dos campeonatos distritais da A.F. Aveiro, devido a cenas impróprias que aconteceram no final do jogo do passado sábado em sua casa, diante da equipa do Arca e que envolveram jogadores do Martelinho e equipa de arbitragem.
O jogo decorria com um resultado de 7-7 até que, a 19 segundos do final, o árbitro ordenou a marcação de um livre drecto que acabou por originar a violência e tão drástica decisão e também como forma de protesto por alegadas arbitragens vergonhosas que vinham a ocorrer nas primeiras jornadas.
O Presidente da colectividade, Joaquim Pereira "Martelinho" já comunicou a decisão de abandonar as competições em que estavam inseridos à Associação de Futebol de Aveiro, terminando assim de forma inglória o futsal deste clube e a participação na I divisão distrital de seniores e ainda no campeonato distrital de juniores."

Martelinho, the winner is .. you!

Post Scriptum Cromatium: Resta esclarecer que à luz de novo empate técnico entre Martelinho e Chicabala, o desempate final foi atribuído pelo comité técnico designado para o efeito. Esta medida custou 15.000€ ao Estado Português, sendo que os 62€ excedentes irão ser atribuídos à L.P.A.F.C.A.T.A.P.C.A.C.R.J.A.R. (Liga Portuguesa de Adeptos Forasteiros Colocados na Arquibancada ou Terceiro Anel Por Cima de Adeptos da Casa Rivais em Jogo de Alto Risco).

domingo, abril 01, 2007

Poll Poll Poll

Comunicado relativo ao Estado da Poll:

Dado o empate técnico entre Chicabala e Martelinho (53 votos cada), no dealbar deste dia das mentiras, o comité bolístico reuniu de emergência no parque de estacionamento do Estádio Avelino Ferreira Torres, mesmo ao fundo da Avenida Avelino Ferreira Torres, na esquina da mercearia Avelino Ferreira Torres com o stand Avelino Ferreira Torres.

Desta acalorada reunião saiu a decisão de prolongar a Poll até dia 3 de Abril para ver quem ganha no pique final: Martelinho ou Chicabala.

Por falar em Chic(k)abala, fica aqui um cromo da provável inspiração da travessia semi-profissional do jogador que disputa o ombro-a-ombro com Martelinho.

Bem Hajam, Povo da Bola.

Post Scriptum Cromatium: Apelamos a que ignorem a tentação do voto útil.

terça-feira, março 27, 2007

José Américo Taira


José Américo, tal como o Vespúcio que lhe deu o nome, desbravou mares nunca dantes navegados, e espalhou o evangelho belenenso-amadorense por terras de Cervantes com um brilhantismo que não encontrou paralelo senão na forma esguia de Christian e na acutilância de Catanha. exímios representantes da Reboleira e Restelo em Espanha, respectivamente.

O codicioso futebolista foi um justo concorrente do concurso apresentado por Júlio Isidro em 1998 (José Carlos Malato ainda não tinha chegado à alta-roda do raio catódico), o afamado "Quem Quer Ser Internacional Português?".

Taira
ganhou o dito cujo após uma luta titânica com Afonso Martins, ao responder de forma certeira à pergunta:"Quem é o empresário Português mais provável de se barricar numa casa de banho da RTP daqui a três anos?"

Afonso Martins respondeu "José Veiga", enquanto Taira respondeu "Manuel Subtil", vencendo o concurso de forma tão concludente quanto subtil (vocês sabiam que eu não iria fugir ao trocadilho fácil). Desta forma, Taira juntou-se a outros vencedores passados e futuros deste concurso como Skoda, Tulipa, Pedro Martins, Rogério Matias, Luís Carlos e Alex.

Terá porventura sido o momento mais alto da carreira deste centro-campista de capacidades físico-técnico-tácticas bastante apreciáveis. Taira tratava a meia-lua por "tu", e enchia o meio-campo até o tratarem por "Senhor". Como tal, Sevilha foi pequena para o eclipse lunar deste calvo astro, que pretendeu dar o salto para o Oriental, clube lisboeta de raízes populares.

Pois popular é José Américo Taira. E popular continuará a ser.

Post Scriptum Cromatium: A ausência de posts tem sucedido devido a um crash do sistema. Que ainda não está devidamente ultrapassado, aliás. Faremos o nosso melhor, Povo da Bola. Relembramos ainda que a quasi-eterna Poll terminará no final do Mês. Bem hajam.

sexta-feira, março 09, 2007

Luís Manuel


Hoje recuperamos o bom velho Salgueiral amigo para a ribalta. Por cinco minutos que sejam. A bem dizer, o frigorífico da imortalidade há muito que está ocupado com uma prateleira repleta de legumes e vegetais em conserva com o rótulo vermelho da Ferbar.

Um desses legumes era Luís Manuel. Mesmo ao lado da lata que continha o seu vegetal preferido, Luís Carlos (não o bêbedo, o outro - o brasileiro), com quem formava um duo centrocampista pleno de nutrientes e vitaminas indispensáveis.

Não sendo propriamente um dueto constituído por um bombo e um violino, digamos apenas que o Manel era mais Reetruck do que Reebok. Mais Mike que Nike. Mais Pluma que Puma. Já o bom do Carlos assemelhava-se mais a um par de Le Coq Sportif brancas, com tendência para apenas ficarem sujas ao cabo de setenta e dois minutos.

Luís Manuel destacava-se sobretudo pelo seu jeito aguerrido, pelo penteado metade Luís Represas/metade Bon Jovi e pelo seu remate potente e pouco colocado, ao jeito de Dinda.

Mais um digno representante da inolvidável turma da Ferbar.

sexta-feira, março 02, 2007

Marcegol


Não deixe o penteado cuidado, meticuloso e pejado de gel enganá-lo. Não estamos a falar de um jogador de finesse. Ponha a pena e o tinteiro de parte e pegue na esferográfica bic. Tire esse fatinho Armani e vista o seu fato de treino Lacatoni. Vamos falar de Marcelo.

Goleador implacável, nunca passou de um jogador banal até chegar ao quasi-Uefeiro Tirsense de 1993 - 1995, onde alinhou com outros grandes do panorama cromífluo nacional.

Porquê só em Sto.Tirso? Quiçá por disfrutar da liberdade que advém de ter as costas guardadas por Goran, Rui Gregório e Paredão. Quiçá por receber a redondinha dos mágicos pés da quase-recente contratação do 1º de Dezembro, Hugo Porfírio, e do benigno sósia de Paulo Nunes, Giovanella. Quiçá por formar com o mini-Hasselhoff a dupla de ataque mais opressiva e ditatorial de que há memória: a dupla Marcelo/Caetano. Quiçá simplesmente porque gostava de tremoços, Marcelo despontou em Santo Tirso, qual flor desabrochando através de uma fenda de um passeio de betão urbano.

Segue-se o Sport Lisboa. Formava-se uma excelente equipa de matrecos para os lados da Luz, e paralelemente também tentavam construir algo que se assemelhasse a uma squadra de futebol. Para tal, a instituição antecipou-se aos grandes clubes da Europa, e assegurou a aquisição do "Pack Jesuíta 1995/1996", que incluía o próprio Marcelo, um Paredão pré-Chelsea, três sacos de amendoíns, um calendário da Ferbar e um corta-unhas com a imagem da Nossa Sra de Fátima. Em troca, o Benfica forneceu à agremiação de Santo Tirso os direitos de imagem do futebolista Paulão e três baralhos de cartas com fotos dos melhores cortes em carrinho do defesa Pedro Henriques.

Em Lisboa, apesar de ser um dos jogadores mais utilizados do plantel e fazer equipa com portentosos facilitadores da bola como Mauro Airez e Iliev, Marcelo só fez sete golos durante a época inteira. De realçar que três foram marcados com o tornozelo, dois com a canela, um com o ombro, e um com a nuca.

Dado o sofrível total nunogomesco de tentos efectuados, este guerreiro da grande área foi de pronto ostracizado para abrir caminho para o trio Pringle-Hassan-Akwá, que estaria destinado a devolver momentos de glória ao clube. De costas voltadas para Portugal, Marcelo aventurou-se no estrangeiro: "Pô, se o Paredão consegue ser um cromo do football da Premiership, então o Marcelo vai virar artilheiro...Gente, tô com fome. Quero um brigadeiro."

Passagens rançosas pelos temíveis Alavés, Sheffield Utd, Birmingham e Walsall demonstraram-nos o contrário. Porém, o resiliente luso-brasileiro não estava acabado. Decidiu acabar a carreira onde a tinha começado nos anos 80: na Coimbra dos Estudantes, onde nos ensinou que estava de facto mais do que acabado prá bola. E que ensaboadela foi.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Dinisandokan

Sandokan.
Sandokan.
Warm and tender is the love
and people know the way to love
cruel and bloody is the war
and people know how to make war
but the people can be unfair
and there's no one to help them there
I love my people
I love my land
and everybody seems to understand
all together
all together
now together
hand in hand let's go to the sun.

Sandokan
Sandokan.
Make me warm and I will be the one

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Darci à busca da Fama


Darci. Possante avançado do Belenenses de Nito e Calila, destacou-se sobretudo por não se ter destacado. Dominava a arte da invisibilidade em campo como ninguém, só que ao invés de um qualquer Custódio deste Mundo, Darci não dava azo ao chavão "não se dá por ele, mas a sua manobra é essencial para a equipa". Em boa verdade, o chavão apregoado assemelhava-se mais a um "não se dá por ele, mas ao menos dá descanso à defesa do adversário".

Sedento de notoriedade, Darci decidiu dar nas vistas. Sem precisar de pontapear o esférico, isto é. Pensou que se destacaria por ter o maior nariz de porco da primeira Divisão. Mas Carlos Secretário reclamou esse título só para si. Um papa-taças, o nosso Carlos...Campeonato, Taça,Supertaça,Taça UEFA,Liga dos Campeões e Maior Nariz de Porco da Primeira Divisão.

Tendo falhado mais este golo na baliza da vida, Darci Miguel Monteiro procurou o remate da quina da área. Fora do seu alcance de qualquer guarda-redes. Este foi o maior golo da sua carreira.O golo da fama, atingido na sua terra natal no ano de 1999:

"Quem assistir ao Campeonato Carioca de Futebol, que começa neste domingo, dia 7, pode se pegar duvidando dos próprios olhos. Ronaldinho, o jogador mais caro do mundo, teria trocado a Internazionale de Milão pelo modesto Olaria? Não, trata-se do sósia Darci Monteiro, 29 anos, atacante do Olaria. Segundo Darci, em 1993 os dois chegaram a disputar uma partida, Ronaldinho ainda no Cruzeiro e Darci pelo Belenenses de Lisboa. "Mas na época não éramos muito parecidos porque Ronaldinho tinha cabelo. Eu sempre raspei, meu cabelo é um problema(Nota:confirma-se pelo cromo no Belém)." Darci já foi várias vezes confundido com o tetracampeão. Mas as semelhanças entre os dois param por aí. Darci recebe no Olaria R$ 50 mil por seis meses de contrato. Já Ronaldinho fatura US$ 12 milhões por ano."

in http://www.terra.com.br/istoe/gente/153604.htm

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Uma Viagem pelo Minho













Ah, Barcelos. Que o pueril ar fresco que se respira nas madrugadas minhotas seja reflectido no orvalho das tuas cinzentas calçadas forradas a paralelepípedos. Que a torrente de futebol alicerçado no letal contra-ataque seja proporcional ao sacramental anti-jogo quando te apanhas a ganhar. Que a contenção feita futebol se desfaça na rede adversária através de uma negra lança sobrevoando o verde tapete.

Será que a bola transformada em ponto fulcral de uma demanda pelo sucesso do cinismo pode ser levada a sério? Será que um autocarro transversalmente estacionado pode ser ponto de partida para uma rápida incursão pela autoestrada que rápida e ríspidamente nos entrega à porta da nobre e desejada meta? É só encostar, Mangonga.

Todas as viagens têm um ponto de partida. A nossa viagem de hoje começa num Tuck. Um Tuck começa quando um qualquer Abdel-Ghany ataca. Aliás, existiriam Kikis se não fosse pelos Hadjis deste Mundo? Seria necessária a existência de um Fernando Aguiar, não fôra pela tímida genialidade de um Walter Paz?

Entra em cena Tuck. O desarme feito arte. O sentido posicional feito bandeira. Um Custódio antes do Custódio. O assassino silencioso. Sem grandes alaridos, sem grandes marcas na integridade física do oponente. A bola? Já era. O drible? Impossível. Neste terreno não há lugar para a fantasia indomável do esfíngico Sabry. Neste Mundo o polícia não é George Walker Bush. Neste Mundo o cowboy é Tuck, polícia discreto, carismático capitão, líder que partilha os holofotes.

Após tomar o seu início no desarme, a viagem continua pelo génio. Todos nós temos um pouco de génio e de louco, é certo. Mas certos indivíduos possuem esta primeira característica em doses industriais. O meio-campo de Barcelos era um bom exemplo. Dois senhores percorrem o mesmo terreno de forma tão equilibrada na sua justiça, quanto desiquilibrada no teor de Q.I. em relação aos seus desamparados oponentes. O ponderado, regrado e cerebral Caccioli, personalidade inexorável da verdinha meia-lua, é o perfeito contraponto ao genial rebelde sem causa João Oliveira Pinto, a promessa que nunca o foi. Dois nomes de craque para uma linha de texto, duas luvas para duas mãos siamesas, duas cerejas no topo de um bolo coberto do mais delicioso glacê.

Se um "tuck" na bola inicia a viagem, são precisos um grande condutor e seu fiel co-piloto para levar o glorioso veículo ao parque de estacionamento do Olimpo. Manobras arrojadas nunca foram problema para o aveludado J.O. Pinto, craque de nome, e Mad Max de coração, que apenas precisava de direcção. Direcção, dizeis vós? Pois quem melhor para as fornecer do que o homem que dispensou qualquer volume capilar para arranjar espaço para o seu GPS cerebral? Cacci "O Homem-Assistência" Oli. Qual baterista marcando o ritmo de um acelerado riff de uma rebelde guitarra, qual Rui Costa passeando (devagar, claro) pela primeira página de uma anónima edição do jornal "A Bola", Caccioli era o calvo maestro que dirigia o atum J.O. Pinto nesta sanduíche que tinha Tuck como alface.

Porém, esta viagem só faria sentido se chegasse ao destino. Para comer tremoços é preciso tirar a casca. É necessária a existência de alguém que ponha os meninos a dormir. Um picheleiro que feche a torneira. Um carteiro que termine o dia com o sorriso estampado de dever cumprido na sua abigodada face. Se vociferamos então por um matador de sangue gelado, com Mangonga o tiro nunca sai furado. Este esquivo sniper de lábios cinzentos enterrou os sonhos de muitas almas despojadas de esperança, que olhavam impotentes para o relvado, de olhar vazio, enquanto o diminuto Mantorras do Congo lhes roubava a alegria debaixo dos seus peludos narizes.
Makopoloka Mangonga, o "Zairense (agora Conguito) decisivo", saía invariavelmente do relvado abraçado a seus compadres, e com um vitorioso esgar decalcado nos seus cinzentos lábios, dizia baixinho a Nené Santarém: "Hoje o herói sou eu, amanhã serás t...não. Amanhã também serei eu. Desculpa."

Viagem curta, esta. Curta, mas saborosa como uma pinga de mel que escorre de um jarro quebrado numa tarde de Verão na Rechousa.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Mame BIRAME Mangane


Máme Biráme Mángane.. deve ser assim que se lê no Senegal..

Chegou a Portugal, não se sabe se a bordo de um cacilheiro, ou se dentro de um camião de refugiados.. mas chegou ao clube ideal..Lisboa foi o destino e mal chegou até viu estrelas!
Estrelas na Amadora, que lhe deram a fama que ainda hoje percorre as ruas do Shopping Babilónia (Amadorenses, estou convosco..)
Dizem as más línguas que nos treinos colegas como Fernando , Rui Águas, Paulo Ferreira, ou até Chaínho e Taira passavam a vida a dizer "Birame.. a bola" "Birame.. a bola" e ele apenas birava para o lado quando o que queriam era .. que ele visse a bola e rematasse para o golo!
Golo, foi uma raridade na sua carreira. 1 golo, 2 golos.. mas chegou ao Senegal!

Em Dakar, ainda antes de Carlos Sousa e Hélder Rodrigues descobrirem o caminho para o sucesso, Mame Birame Mangane já festejava, qual Mantorras:
- 1 golo contra Guiné Bissau ;
- 1 golo contra Serra Leoa e participou ainda em competições importantes, como a Taça Africana das Nações em 1994, onde defrontou jogadores como Kwane Ayew, Abedi Pelé, Anthony Yeboah..
Concerteza que lhes pediu a camisola, para levar para a Amadora e pendurar na varanda..

Entretanto, Birame muda-se para o Camacha onde fez 3 jogos e... 0 golos!
E no ano seguinte muda-se para o Alentejo, onde o Desportivo de Beja o recebeu de braços abertos.
Mame Birame Mangane correspondeu com.. 0 golos.

Bem, a carreira de Mame Birame Mangane deixa de ter rasto em qualquer jornal desportivo ou ficha de jogo.. e passa, como um bom senegalês a constar de fichas de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia..
Segundo a Xunta de Alicante, Em 3.11.2003 multa de 150 EUR em Alicante...
Segundo a Xunta de Lleida, Em 7.8.2004 apanha uma multa em Lérida, no valor de 90 EUR.

Birame está claramente a fazer-se à vida e não paga as multas.. Birame quer ser famoso novamente! E foi, porque não pagou nenhuma delas.. :)
O grande Mame Birame Mangane (penso que nesta altura já toda a gente saberá o nome completo..) está claramente a fazer-se à vida .. de tendas, Cd piratas, DVD mal traduzidos em Espanhol, Bolsas e Blusas, Aneis e Brincos..

O que ainda está por descobrir é se é material desaparecido da Amadora, ou se material vindo directamente de Dakar.

Por isso se estás a ler, caro Birame, este post é dedicado a ti e à tua carreira no grande clube do subúrbio lisboeta e arredores.
Desejo-te tudo o que as feiras e tendas te podem trazer de melhor..
Quanto aos golos, não faz mal.. nós perdoamos-te.. ! O Fernando Santos fez-te o mesmo..

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A Evolução da espécie Folhámica

António Folha, veloz esquerdino portista com pés de veludo, era sobretudo reconhecido por ser o melhor jogador do Mundo nos treinos à porta fechada.
Impossível de parar, este Robben luso destacava-se também por ser o responsável por várias lesões de adeptos sitos nas superiores das Antas, devido aos seus milimétricos cruzamentos para as ditas cujas.

Porém, o Richard Gere português deixou seguidores. E não foi preciso esperar muito.

O vilacondense António Manuel Graça Fangueiro, digníssimo representante do recheado plantel de Santo Tirso, abençoado com nomes como "Mini-David Hasselhoff" Caetano e Moreira de Sá, decidiu ser o mais recente seguidor da linhagem "Folha", depois de António I e Richard Gere.

Apesar do parco sucesso, cujas vicissitudes o levaram do anonimato da Iª Divisão até o ainda maior anonimato da IIIª Divisão com o poderoso Freamunde, Folha II merece ser recordado. Já que mais ninguém se lembra dele...

sábado, janeiro 20, 2007

Quatro amigos à volta de uma mesa


Janeiro de 1995, Tasca do Fagundes, Ermesinde.

Quatro amigos à volta de uma mesa.

Zé Maria monopoliza o garrafão de tinto.
Vital mistura uns saudáveis bolinhos de bacalhau com duas ou três chamuças. Recusa-se a partilhar azeitonas com Zé Maria, dada a inabalável vontade deste em terminar com a curta vida do garrafão sozinho.
Dane e Medane discutem sobre qual dos dois tem o nome mais ridículo. Medane diz que as letrinhas "Me" fazem toda a diferença e come rissóis de uma qualquer carne indeterminada e genérica como pobre substituto de um Kebab. Dane mostra indiferença quase total sobre o que o rodeia e pensa em deixar crescer o bigode, respondendo assim ao pungente desafio do companheiro de equipa Matias.

Mais uma vulgar tarde numa vulgar tasca deste invulgar País.
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